sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Respeito pelo outro

Sempre houve tiranos. Gente que toma decisões que a todos respeitam sem os consultar e que responde às críticas com violência, gente que cria sociedades amedrontadas. Até podem contar os votos dos seus apoiantes e dizerem-se democratas, porque os que têm medo são em maior número. Chegou a nós o desprezo que os gregos sentiam por essa gente. A pedra de toque para saber da liberdade de uma sociedade é a liberdade de expressão. Porque houve tiranos amados pelo seu povo e houve-os que fizeram sociedades “melhores” que as que encontraram.
Talvez não seja possível criticar racionalmente as sociedades não democratas. A Liberdade é um valor que é defendido por quem a ama. Por quem se escandaliza com a falta de respeito que é mandar calar alguém. É por isso que acho tão importante que os não democratas tenham voz. Tirar o direito de se exprimir é tirar o direito de existir fora dos parâmetros da maioria, é negar a realidade e defender, pela força, o sonho em que se vive. É uma alienação. Há muito quem goste de viver sem conhecer a realidade, chegam a considerar loucos os que lhes mostram que “o rei vai nu!”. E esta loucura de negar o pensamento estranho existe à esquerda e à direita, é de todos os tempos.
Considero Chávez e Juan Carlos democratas mas houve um momento emocional em que o primeiro falou durante o tempo de outro, impedindo-o de falar, e o segundo mandou calar o primeiro, atitude que competiria à presidente da mesa. Momentos de loucura, em que “o outro” é visto como um louco, um estranho, em que lhe é negada a possibilidade de se exprimir, de ser, de existir! Momentos em que vemos as nossas convicções como “A Verdade” e o outro como um imbecil que a não vê. Coisa humana, mas coisa que deve estar no nosso espírito como acontecimento a evitar. Porque não se pode coexistir sem respeito mútuo. Sem liberdade de expressão.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Liberdade de escrever

A liberdade de expressão é um valor para todos os democratas. Não é um assunto para lutas partidárias. A não ser que falemos de partidos não democratas. Mas esses não são propriamente partidos. A Acção Nacional Popular, o “partido” que Marcelo Caetano “criou” em substituição da União Nacional de Salazar nada tinha de democrático: quando foi às urnas, com um recenseamento em que os democratas dificilmente figuravam, impediu-os de fazer campanha normalmente. Só ouvíamos as “Conversas em Família”, na televisão.
Ou seja, o assunto deste blog é pacífico, é um assunto em que todos estamos de acordo. Qualquer forma de pressão do poder sobre a liberdade de expressão, repito, qualquer, é uma violação da nossa Lei Fundamental, da Constituição da Republica.
Nós, democratas, respeitamos a liberdade de expressão de quem a não respeita. Isto para dizer que este blog está aberto aos artigos dos não-democratas, salazaristas, monárquicos absolutistas, nazis, sei lá, os únicos que se poderão opor àquilo que ele defende.
E se os jornais que merecem ser lidos são os que têm polémicas, os blogs também! Venham os artigos dos adversários, até se publicam defesas do decreto de Alhambra!
4-1-2008 Recebi esta correcção de um monárquico que pesa as palavras:
"Lapsos lamentáveis foram detectados:a) onde se lê "salazaristas", deve ler-se "salazaristas, fascistas, nacional-socialistas, marxistas, leninistas, comunistas, maoistas e quase toda a enorme quantidade de movimentos republicanos de cariz revolucionário".b) onde se lê "monárquicos", deve ler-se "simpatizantes de regimes que apresentam como modelos a vaidade e a ferocidade do denominado despotismo esclarecido (em Portugal, mais facilmente identificável como Pombalino)"."