Essa comissão achou ético pôr a poupança à frente da saúde e teve o desplante de dizer que mais dois meses de vida de um doente não justificam que o Estado, que somos todos nós, gaste mais uns milhares de euros.
O bastonário da Ordem dos Médicos respondeu perguntando se o Estado pretendia pedir aos médicos que decidissem quem tinha ou não direito a mais uns meses de vida, saudavelmente indignado e com toda a razão.
É tão evidente que o Estado tem obrigação de tratar todos os cidadãos com o mesmo respeito, que nos temos que interrogar como pode ele ter chegado a tal decadência?
A resposta está nos "tempos de mudança" que vivemos e viveremos nos próximos anos. É o sistema em que vivemos e que chegou ao fim do seu tempo de vida -- durou dois séculos e meio. Nele, o lucro é o valor supremo, porque é o valor supremo da oligarquia que domina o mundo. As grandes companhias farmacêuticas gastam pouco mais de 1% dos seus lucros em investigação, investigação importante porque leva ao aparecimento de novas drogas, por vezes úteis; porém vendem-nos o conceito de que não seria feita essa investigação se perdessem o direito de vender as ditas drogas a preços livres, dezenas ou --chega a isso! -- centenas de vezes o seu preço de produção, protegidas pela sua patente, a qual impede qualquer outra companhia de as fabricar.
Os Estados grandes e auto-suficientes, como a África do Sul ou o Brasil, face ao número de doentes infectados com o vírus da imuno-deficiencia adquirida (HIV), por exemplo, decidiram fabricar as drogas eficazes, caríssimas no mercado "livre", à revelia do direito internacional.
O que se passa é que o direito internacional é produzido pelas grandes companhias, pelo grande capital, que controla os deputados que "nos representam". O assunto do nosso tempo é a criação da democracia real. Essas companhias poderão continuar a ter fabulosos lucros, mas as novas leis devem impedi-las de ter lucros obscenos.
O objectivo das leis nas sociedades democráticas é o bem estar de todos os cidadãos. Nas oligarquias o objectivo é o lucro e o poder de uns poucos, coisas diferentes! Chegou o tempo em que 99% dos cidadãos despertam para a consciência de que vivem numa oligarquia, o sistema monetário e financeiro internacional; e que as leis foram e continuam a ser escritas por ela.
Leis justas só poderão ser criadas pelos cidadãos, em democracia directa. Os deputados e os membros do governo são parte interessada (convencidos por lobbys ou mesmo comprados) e não as saberiam fazer. Sabem economia, sabem "racionar" os medicamentos, sabem ser "racionais" ao serviço do lucro da oligarquia, portanto -- sejamos, também nós, racionais! -- não estão ao serviço da democracia!
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| O retrato oficial do Sr. Ministro da Saúde |

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